“O urbanismo é a tomada do meio ambiente natural e humano pelo capitalismo que, ao desenvolver-se em sua lógica de dominação absoluta, refaz a totalidade do espaço como seu próprio cenário.” - A sociedade do espetáculo.
Guy Debord
Guy Debord (1931 — 1994) foi um escritor francês. Seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68, em Paris. Sua obra mais célebre, A Sociedade do Espetáculo foi publicado em 1967.
Frases e citações
No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso
No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso (DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997. p. 16)
No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso
Como crianças perdidas vivemos nossas aventuras inacabadas.
Toda a vida das sociedades em que dominam as condições modernas de produção aparece como uma imensa acumulação de espetáculos.
O espetáculo é o sol que nunca se põe no império da passividade moderna.
As paixões já foram suficientemente interpretadas; o objetivo agora é descobrir novas paixões.
Uma mentira que não pode mais ser contestada torna-se uma forma de loucura.
O crescimento econômico liberta as sociedades da pressão natural que exigia a sua luta imediata pela sobrevivência, mas é então do seu libertador que elas não estão libertas.
Considerado de acordo com seus próprios termos, o espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda vida humana — isto é, social — como simples aparência.
O espetáculo se apresenta como uma enorme positividade, indiscutível e inacessível. Não diz nada além de “o que aparece é bom, o que é bom aparece”.
O crescimento econômico libera as sociedades da pressão natural, que exigia sua luta imediata pela sobrevivência; mas, agora, é do libertador que elas não conseguem se libertar. A independência da mercadoria estendeu-se ao conjunto da economia, sobre a qual ela impera.
Cada nova mentira da publicidade é também a confissão da mentira anterior.
A teoria só conhece aquilo que ela faz.
Subproduto da circulação das mercadorias, o turismo, circulação humana considerada como consumo, resume-se fundamentalmente no lazer de ir ver o que se tornou banal.
O primeiro mérito de uma teoria crítica exata é fazer parecerem ridículas, de imediato, todas as demais.
Posso me gabar de ser um raro exemplo contemporâneo de alguém que escreveu sem ser imediatamente desmentido pelos acontecimentos.
Cada qual é filho de suas obras, e do jeito que a passividade faz a cama, nela se deita.
Numa sociedade em que ninguém consegue ser reconhecido pelos outros, cada indivíduo torna-se incapaz de reconhecer sua própria realidade. A ideologia está em casa; a separação construiu seu próprio mundo.
O segredo generalizado mantém-se por trás do espetáculo, como o complemento decisivo daquilo que mostra e, se formos ao fundo das coisas, como sua mais importante operação.
Quem fica sempre olhando, para saber o que vem depois, nunca age: assim deve ser o bom espectador.
Aquilo de que o espetáculo deixa de falar durante três dias é como se não existisse. Ele fala então de outra coisa, e é isso que, a partir daí, afinal, existe. As consequências práticas, como se percebe, são imensas.
Todo delito e todo crime são de fato sociais. Mas, de todos os crimes sociais, nenhum será considerado pior do que a pretensão impertinente de desejar mudar algo nesta sociedade, a qual acha ter sido até agora paciente e boa demais; mas que já não aceita ser criticada.
A conversação já está quase extinta, e em breve também estarão mortos muitos dos que sabiam falar.
Quando se tenta explicar algo, é um engano opor a máfia ao Estado: nunca são rivais.
Sempre se aprende alguma coisa com o adversário.
A vigilância controla a si mesma e conspira contra si mesma.
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