Dançando Negro Quando eu danço atabaques excitados, o meu corpo se esvaindo em desejos de espaço, a minha pele negra dominando o cosmo, envolvendo o infinito, o som criando outros êxtases... Não sou festa para os teus olhos de branco diante de um show! Quando eu danço há infusão dos elementos, sou razão. O meu corpo não é objeto, sou revolução.
Éle Semog
Luiz Carlos Amaral Gomes (1952-), que escreve sob o pseudônimo Éle Semog, é um escritor e poeta brasileiro. Grande ativista do movimento negro, estimulou e coordenou diversos projetos literários voltados para autores negros. Alguns de seus livros são "O Arco-íris Negro" (1978) e "Atabaques" (1979), escritos em coautoria com José Carlos Limeira; Curetagem (poemas doloridos) (1987) e A cor da demanda (1997).
Frases e citações
Dançando Negro Quando eu danço atabaques excitados, o meu corpo se esvaindo em desejos de espaço, a minha pele negra dominando o cosmo, envolvendo o infinito, o som criando outros êxtases... Não sou festa para os teus olhos de branco diante de um show! Quando eu danço há infusão dos elementos, sou razão. O meu corpo não é objeto, sou revolução.
Lugar de viver A cidade onde vivo e outras cidades, são essas tensões lúdicas e libidinosas que consigo atinar quando não atiram em mim.
Outras Notícias Não vou às rimas como esses poetas que salivam por qualquer osso. Rimar Ipanema com morena é moleza, quero ver combinar prosaicamente flor do campo com Vigário Geral, ternura com Carandiru, ou menina carinhosa / trem pra Japeri. Não sou desses poetas que se arribam, se arrumam em coquetéis e se esquecem do seu povo lá fora.
Se Ela Faz Eu Desfaço A treze de maio fica decretado luto oficial na comunidade negra. E serão vistos com maus olhos aqueles que comemorarem, festivamente, esse treze inútil. E fica o lembrete: Liberdade se toma, não se recebe. Dignidade se adquire, não se concede.
Íntimo Dado (A Senha) Cada vez que gritam: pobre! me assusto. Recuo ao canto mais perto do rés do chão. Negro, fico sem cor. Fúria, fico sem fala. Pois sei que as balas dos patrões, que as balas dos políticos, da polícia correm atrás de mim sem-terra, correm atrás de mim sem-teto, correm atrás das minhas razões por esses labirintos finitos enredados de justiça e democracia, só para eu sair nos jornais, morto na foto, sangue vazando pelos ouvidos. Toda vez que eles gritam: pobre! é a tortura, é o estampido, é a vala. É a nossa dor que tranquiliza os ricos. Alô rapaziada... tem de antenar o dia: o vento que venta lá, venta cá.
Territórios e conexões
Qualidade e enriquecimento
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