Estava morando sozinha em um estúdio em Mineápolis, separada do meu marido e trabalhando como garçonete, tão deprimida e confusa quanto jamais estive na vida. Todo dia me sentia como se estivesse no fundo do poço olhando para cima. Mas foi a partir daquele poço que comecei a me tornar uma aventureira solitária. E por que não? Já fui tantas coisas.
Cheryl Strayed
Cheryl Strayed (1968) é uma escritora norte-americana, autora de obras de romance, memórias e ensaios. Strayed ficou conhecida internacionalmente através do best-seller "Livre : uma história de autodescoberta, sobrevivência e coragem", publicado em 2012, que se encontra traduzido para mais de 30 idiomas.
Frases e citações
Estava morando sozinha em um estúdio em Mineápolis, separada do meu marido e trabalhando como garçonete, tão deprimida e confusa quanto jamais estive na vida. Todo dia me sentia como se estivesse no fundo do poço olhando para cima. Mas foi a partir daquele poço que comecei a me tornar uma aventureira solitária. E por que não? Já fui tantas coisas.
Tratava-se de um mundo em que eu nunca tinha estado e que não conhecia, mas, ainda assim, durante todo o tempo, sabia que estava lá, um mundo no qual eu oscilava entre sofrimento, confusão, medo e esperança. Um mundo que eu achava que podia me transformar tanto na mulher que sabia que poderia vir a ser como na menina que já fui um dia.
Olhei para o norte, em sua direção, a simples lembrança dessa ponte foi como um sinal. Olhei para o sul, de onde vim, para a vastidão de terra que me ensinou e castigou, e considerei as opções. Havia apenas uma, eu sabia. Sempre havia apenas uma. Continuar andando.
Só sabia que era hora de ir, então abri a porta e caminhei em direção à luz.
Não estava chorando porque estava feliz. Não estava chorando porque estava triste. Não estava chorando por causa de minha mãe ou de meu pai ou de Paul. Estava chorando porque estava plena.
Anos antes de arremessar a bota no penhasco daquela montanha, eu mesma estive à beira do abismo. Havia caminhado, perambulado e viajado de trem, de Minnesota a Nova York, ao Oregon e por todo o Oeste, até, enfim, acabar descalça, no verão de 1995, tão solta no mundo quanto presa a ele.
Obrigada, pensei mais uma vez, e mais uma vez. Obrigada. Não apenas pela longa caminhada, mas por tudo o que pude sentir finalmente se juntando dentro de mim; por tudo o que a trilha me ensinou e por tudo que eu nem sabia ainda, embora soubesse que de alguma forma já estava dentro de mim.
Territórios e conexões
Qualidade e enriquecimento
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