LUA Ele me deitou nua em cima do calçamento e eu sabia que era loucura que era coisa de momento pensei até que era a lua danada no quarto crescente ou era fúria de maré crescendo dentro da gente e eu me sentia suada e eu me sentia escura mas não tinha medo de nada que toda paixão da coragem e me deitei na calçada com orgulho e vadiagem e quanto mais me sujava mas me sentia à vontade mais eu queria e deixava mais eu pedia e mais dava e ria, gemia e brincava de ter tanta liberdade ele me deitou na rua numa qualquer de passagem e eu sabia que era loucura que era coisa de um momento de grande camaradagem.
Bruna Lombardi
Bruna Patrizia Maria Teresa Romilda Lombardi (1952) é uma atriz e escritora brasileira.
Frases e citações
Gosto dos venenos mais lentos! Das bebidas mais fortes! Dos cafés mais amargos! E os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí? Eu adoro voar!
Melodrama Eu sou uma mulher espantada o amor me molha toda me deixa com dor nas costas ele diz no fundo gostas no fundo ele tem razão o amor tinha de ser mais uma contradição tinha de ser verdadeiro confuso e biscateiro como em toda situação tinha de ter remorso e um querer e não posso e toda essa aflição tinha de me dar pancada e eu cantar não dói nem nada com um radinho na mão tinha de fazer ameça que é pra poder ter mais graça como toda relação tinha de ser dolorido rasgar um pouco o meu vestido depois me pedir perdão e como em todo melodrama terminar na minha cama até por falta de opção.
Cio Quero dormir com você ou pelo menos Te dar um beijo na boca O meu amor não tem pudor, nem acanhamento Não tem paciência, não agüenta mais A urgência do desejo E eu te olho, te olho, te olho Como se dissesse. Penso, ele há de perceber, me encosto um pouco Espero um gesto, um sinal, uma atitude Que eu possa interpretar como uma resposta, Uma indicação, Mas você é um homem sério e continua Se escondendo atrás dessas teorias E nem te brilha no olho uma faísca de tentação. Aí que aflição Pensar no que eu faria Se pudesse. Desejo que não acontece Fica parado no peito Aí vira obsessão.
"Eu não sabia o que fazer, e abri a blusa. Mais tarde eu ia dizer: foi sem pensar. Ele me achou desnorteada, confusa, Como acharia qualquer mulher que abre a blusa E faz tudo que eu fiz só pra agradar. Minha cabeca não era mesmo muito certa. Mulher esperta eu nunca fui, mas deveria Saber me colocar no meu lugar. Não adiantava nada, eu era assim desatinada, O tipo de mulher que faz as coisas sem pensar... Você agora, me ouvindo contar essas histórias, Talvez me ache também um pouco confusa. E eu, que faco tudo pra agradar, Já sem saber o que fazer, abro minha blusa, Como faria qualquer mulher confusa em meu lugar!"
Alta Tensão eu gosto dos venenos mais lentos dos cafés mais amargos das bebidas mais fortes e tenho apetites vorazes uns rapazes que vejo passar eu sonho os delírios mais soltos e os gestos mais loucos que há e sinto uns desejos vulgares navegar por uns mares de lá você pode me empurrar pro precipício não me importo com isso eu adoro voar.
Desígnios alguém pode me dizer se estava prevista na palma da minha mão esta paixão inesperada se estava já escrita e demarcada na linha da minha vida se fazia já parte da estrada e tinha que ser vivida ou foi um desgoverno repentino que surpreendeu os deuses, todos os que desenham o nosso destino ou foi um desatino, uma loucura uma imprevisível subversão que só a partir de agora eu trago marcada na palma da minha mão
INTERJEIÇÃO Qual é a atitude que você está tomando, moço? Que grito você está dando que eu não ouço? Que é que está adiantando falar grosso? Que laçõ, que fita, que farsa que nó é esse amarrado no pescoço? Moço, que palhaçada, que festa é essa? Que luz se nos taparam o sol? Que é que resta, que é que presta como é que se pode nadar no meio de tanto anzol? E quando a corrida começa todo mundo disparado pisando em quem tropeça Moço, que incongruência um sorriso numa hora dessa...
Elogio do Pecado ... Ela é uma mulher que goza celestial sublime isso a torna perigosa e você não pode nada contra o crime dela ser uma mulher que goza você pode persegui-la, ameaçá-la tachá-la, matá-la se quiser retalhar seu corpo, deixá-lo exposto pra servir de exemplo. É inútil. Ela agora pode resistir ao mais feroz dos tempos à ira, ao pior julgamento repara, ela renasce e brota nova rosa Atravessou a história foi queimada viva, acusada desceu ao fundo dos infernos e já não teme nada retorna inteira, maior, mais larga absolutamente poderosa.
Doces Delírios E o deus que entrou em nosso quarto era vermelho e feminino e eu tive um medo de excitação desses que a gente prende a respiração deseja e teme e os opostos se tocam sempre e sempre há de vencer nosso pior. Somos assim, pequenos magos pequenos truques, pequeninas plumas sulférinas coisinhas que cintilam esferas, estrelas, espelhinhos cartas dentro da manga, lenços coloridos tudo em nós flutua é sonho, abstração. A tua fé e o meu desejo de pecado caminham lado a lado e são tudo que nos escraviza nosso futuro, nosso passado a nossa libertação.
Gaia Você sabe como eu sou despreocupada que me encerro neste quarto e me permito todas as divagações, as fantasias obsessões, perseguições, todos os dias você sabe que eu me viro de inventos que eu me reparto e dou crias que eu mal me resolvo e me aguento carrego pedras no bolso e enfrento ventanias. Você sabe como eu sou desorientada raciocínio pelo instinto e cometo fugas de túnel de ladra de galeria uso malhas e madras manhas e lenhas e percorro superfícies em que você escorregaria Mas você sabe como eu sou de subsolos de subterfúgios, de subversos subliminares como eu sou de submundos subterrãneos, de sub-reptícias folias meio de circo, meio de farsa ervas, panfletos, fluídos, presságios quebrantos, jeitos, gírias, reviras de sensações e cismas, filosofias de como eu sou de estradas, andanças, pressentimentos atmosférica e vadia gato da noite, de crises, guitarras ouros e danças e circunstâncias de vinho azedo e companhia. Que eu sou de todas as misturas todas as formas e sintonias e enfrento esse aperto, essas normas forças, pressões, imposições, o poderio os intervalos, o silêncio da maioria. Você sabe de toda minha luta mesmo quando a intenção silencia que eu não cedo, não desisto a todo custo,, a toda faca, a todo risco eu sobrevivo de paixão e de anarquia. Você sabe bem de minha fraude Você conhece as minhas alquimias.
Pacto entre o teu signo e o meu existe uma possibilidade de veneno umas tintas de vermelho meu moreno e se a paixão há de ser provisória que seja louca e linda a nossa história.
Caso Pode ser mais um capricho pode ser uma paixão pode ser coisa de bicho pode não. Pode ser já por destino pelos astros, pelos signos por uma marca, uma estrela talvez já estivesse escrito na palma da minha mão. Talvez não... Talvez até nem fique nem signifique nada nem me arranhe o coração pode ser só uma cisma pode estar só de passagem Ou não.
Sedução Dentro de mim mora o animal indômito e selvagem que talvez te faça mal talvez uma faísca relâmpago no olhar depressa como um susto me desmascare o rosto e de repente deixe exposto o meu pior em mim germina uma força perigosa que contamina uma paixão vulgar que corta o ar e que nenhum poder domina explode em mim uma liberdade que te fascina sopro de vida brilho que se descortina luz que cintila, lantejoula purpurina fugaz como um desejo talvez te mate talvez te salve o veneno do meu beijo.
FASCÍNIO a face oculta das palavras às vezes se mostra na mais estranha luz e a parte escura nunca antes revelada aflora ousada com uma intimidade inesperada como a primeira claridade de uma aurora. Todas essas malditas paalvras sem pudor que eu queria afugentar mandar embora. as palavras elas, as palavras suas luzes, seus ritimos, significados.
ANÍMICO Nossa história está escrita dentro de cada célula só não sabemos lê-la ainda dentro de nós existe a resposta que buscamos só que não a procuramos bem o nosso lado mais sábio ainda se esconde da gente e vamos nascer novamente até saber
SOB O SIGNO DA INQUIETAÇÃO O susto em nós foi avançar muito para dentro do proibido. Muito para perto de uma zona perigosa A boca da noite... o desconhecido... Vagos caminhos de uma via nebulosa. Vários conceitos para falar da mesma coisa O susto em nós foi descobrir porteirasde territórios nunca antes percorridos No fundo de todos nós um visitante No fundo, a falta de sentido... Visitantes de nós mesmos cometíamos a imprudência de quase enlouquecer Para chegar à compreensão. E uma coisa afiada nos conduzia através da trilha da poesia e do difícil trajeto da paixão...
Campo Magnético Agora eu já sabia dele, já tinha conseguido desvendar a fantasia, já quase na quarta casa onde se compreendem os mecanismos da alma, o id, substrato da psique e as grades, as cancelas, quando surgiu a oportunidade de nos olharmos longamente, ah! os freios, e eu senti uma atração alucinada por ele. Isso é tudo. Atração. Atração. Faria qualquer coisa por ele. Viagens interplanetárias. Encontros furtivos. Três dias de ônibus (...) qualquer coisa. Seria capaz de mentir. Estranhos espaços da mente. Atmosferas. Por ele até abstinência sexual. Um homem comum, apenas isso. Mas eu sabia que ele trazia latente aquela coisa absoluta. Definida. Demoníaca. Delírios pactos, bastava ver como tragava a fumaça, de maneira perigosa. Por ele eu me arrastava no tapete, pensei, ah! se ele soubesse, decorei nomes de árvores, espécies, qualidades quando ele me disse que gostava e eu só de vê-lo falar de eucaliptos, ipês, espatódias, bauínias, algarobas, magnólias, tibuchinas, oleandros, muçuendas, acácias, paineiras, plátanos, olmos e resedás, pensava involuntariamente em sexo.
Casa suspeita talvez eu quisesse ser teu lado mais bonito a parte da tua história mais repleta, plena a coisa certa de uma forma tão serena, tão doce mas que ao mesmo tempo fosse selvagem e obscena, violenta até. que o ódio está sempre contido na paixão e se eu tenho uma paz toda que me enfeita trago uma casa suspeita dentro do coração trago um crime que cometi ou que vou cometer e jogo contra mim, jogo contra você vivo do perigo de te fazer enlouquecer no eterno dilema de ser e não ser ando na beira do que pode acontecer e morro de medo de te perder.
A Viagem da Paixão Tenho os caprichos inerentes à natureza da mulher abro a caixa de pandora que eu quiser e lanço mão de todo mal e todo bem avanço a passos largos alcanço o ponto extremo e vou além onde se estende a palpitação das células e se prolongam feixes de neurônios onde se nasce, morre ou se enlouquece íntima de deuses e demônios. Onde habitam as feras, os espíritos das florestas onde se determina a primavera e se marcam as nossas testas. Onde se aprende a sabedoria do fogo e todas as forças de atração e se descobre o ponto que orienta esse mapa de navegação. Estrela solitária, asteróide desgarrado luz que aponta o caminho da viagem da paixão.
Voltei pra casa com a saia do avesso. Pequenos sinais, evidências; Esqueço sempre em algum lugar Minha prudência. Bom comportamento nunca foi meu ponto forte. Minhas contradições se digladiam, Sobrevivo de um instinto que me empurra Para lugares onde moças não iriam... Sou tantas, e a cada dia uma. Quero da vida todas e mais algumas, Ir fundo em todas essas personagens. Gosto de descobrir todas as pessoas das pessoas, E sobretudo gosto das pessoas E é a elas que dedico essa viagem.
Lúbrico Você vai logo perceber que ele não é uma pessoa fácil. Um temperamento horrível,me diziam. E eu,escrevia o nome dele secretamente nas vidraças, nos elevadores,nos banheiros de cinema. Você sabe que eu também, as vezes,fico insuportável com essa mania de querer o impossível. Mas, devia haver uma brecha nos nossos destinos, que permitisse um encontro num quarto de hotel qualquer uma vez na vida! furtivos e ordinários, uma vez e pronto! horas roubadas... Não tive jeito de fazer essa proposta e ele talvez nunca souve o que eu queria. Carrego comigo o lado oculto de um desejo passo por ele, sorrio, digo bom dia...
Procurei me esconder do drama mas ele atravessou as paredes da minha casa e me encontrou parado, diante do espelho, com um certo constrangimento, como se envelhecer fosse pecado...
"Transfere de ti para mim essa dor de cabeça, esse desejo, essa violência Que careça em ti o meu excesso e que me falte o que tu tens de sobra Que em mim perdure o que te morre cedo e que te permaneça o que tenho perdido. Que cresça, se desenvolva um teu sentido que em mim desapareça. Dá-me o lque de possuir tu não te improtas E eu multiplico o que te falta e em mim existe para que nosso encaixe forme uma unidade - indivisível - que não se possa subtrair uma metade."
Ela se derrama cada vez Que você a chama Diz que deixou sem resposta Tentadoras propostas E sente um calor na coxa Toda vez que o vê Ela é louca por você Ela anda tão carente Toma dreher de manhã Diz que se sente Tonta e desatenta Completamente apaixonada Diz que não lhe importa mais nada A casa pode ruir Pode explodir outra guerra das malvinas Ela pensa em coisas muito femininas Como o perfume de cashemere bouquet Ela é louca por você Não sai da cama no feriado Inventa um resfriado Como bombom, vê tv Tudo porque você Disse que ia estar ocupado Mas ela fica tão deprimida Quando lê nas cartas que existe Uma outra mulher na sua vida E ela que sonhou uma vida aventurosa Tem uma crise nervosa E passa a misturar bebida Toma vodka, whisky, saquê Rum, gim e fernet Um panaché de licores Ela é capaz de tudo por você Escreve uma carta de despedida Onde te dá um ultimato Ou você vem ou eu me mato Assinado: tua Dolores."
Baixo-ventre Eu não agüentava mais de amor por você Tava ardendo de vontade de você Você há de me querer Há de tentar, se atrever Mesmo se for delito, se for errado Maldito, amaldiçoado Mesmo que o céu nos castigue Com um eterno eclipse E venha o caos, satã, o fim de tudo O cataclismo, o Apocalipse e a gente seja culpado Porque não soube resistir a tentação Eu não quero me livrar desse pecado E me salvo através dessa paixão.
"SUPERMENCADO" Ainda ficou um pouco de teu cabelo no travesseiro de teu corpo no meu corpo de teu cheiro um pouco da tua colônia em alguns vestidos meus ficou no meu cotidiano um gosto bobo de adeus. Ficou um resto de shampoo no teu frasco no banheiro de tudo ficou um pouco de teu jeito, de teu cheiro. Ficaram umas coisas tuas espalhadas pelo quarto. Ficou teu riso marcado na moldura no retrato. Em tudo ficou um pouco. Ficou nosso jogo de damas (eu branco, você preto) intacto no sofá-cama. Alguns discos teus, alguns livros na parede atrás da porta a gravura de Dalí e tua natureza morta. Um pouco de teu silêncio se espalhou pela casa tua xícara de porcelana verde e branca, sem a asa. De você ficou um pouco do trem daquela viagem do nosso jantar chinês da nossa camaradagem. Ainda ficou tua letra em alguns papéis amassados. Em tudo ficou um pouco na rua, no supermencado. Ficou um pouco de você no mar, no rio, na serra na estrada da casa de campo na pedra, no gato, na terra. Ficou um pouco do teu rosto no rosto dos meus amigos ficaram palavras tuas em tudo aquilo que digo. Eu fiquei com o teu jeito de querer falar primeiro teu corpo no meu corpo cabelo no travesseiro.
guirlanda a luxúria pinta a cara com as tintas do absurdo tenta as cores mais alucinadas procura os tons mais profundos e quando me deito na cama tenho a alma encarnada e ele me acha a mulher mais bonita do mundo
MALÍCIA Ele era um homem assim que carregava uma faca por atração por esse lado da vida e eu sonhava um hotel com quartos conjugados e um vinho tinto de estalar no dente. Ele tinha um olhar forte mas que de repente fugia curiosidade de tudo e eu tinha aquele olhar das meninas, o encanto a malícia, a avidez e nenhuma disciplina. Talvez eu prometesse coisas, insinuasse naqueles dias de calor, e não via isso como nada grave e nem sofria Talvez ele tivesse a alma torturada a face esquerda prometida, um mistério que me fascina Era um homem e tinha a cara que o peso da vida lhe dava.
Jardim das Delícias Procuro para mim um homem sem moral que me deixe arisca e me deite de costas mandando coisas. O Oculto da paixão tem mais sabor que pitanga roubada e minha alma dissoluta, dissimulada mistura ao vinho uma idéia de me jogar em lençõis de linho ou no mar. Ah, eu queria saber de cor o nome das estrelas todas as constelações e tudo que de mistério carrega o ser humano a face das pessoas, a inconfessável a dimensão da atmosfera e o ponto exato onde tudo se desintegra. Quero conhecer o sentido da vida a essência do vôo e a geografia.
Contágio Feroz em nós uma paixão de novo nos ameaça nos faz vibrar, o sangue flui sobe no rosto de repente a gente fica disposto a tudo e tudo é pouco não importa que essa loucura não tenha alívio a gente muda, respira de outro jeito arfa no peito sempre uma pressa sempre aquela vontade sozinha fico metade depressa me abraça, uma saudade que dói, uma coisa que arrebenta e não se agüenta mais. A gente se entrega ao risco arrisca a pele, perde o rumo no prazer dessa desorientação A gente quer explodir e não pode quer se conter e não sabe quer se livrar do jugo da paixão mas não quer que ela acabe
Por Que Não ? eu olhei e pensei por que não dezesseis anos mais velho, seguro homem de opinião e nenhum caráter o velho truque do maduro um ator na vida, e eu pensei por que não vai ver é um menino com medo vai ver se atrapalha não, acho que não deve ser um pouco canalha como todos são um cruzar de pernas, um olhar grave não sei direito o que se faz pra ser querida uma posição mais provocante uma atitude mais desinibida logo eu que morro de vergonha de tentar ser um pouco atrevida logo eu que o que cometo em sonhos seria incapaz de cometer na vida mas pensei por que não o estímulo de uma aventura o prazer de ceder à tentação é tão raro acontecer esse desejo, dura tão pouco isso a novidade e depois não tem o compromisso da paixão come e depois espalha pra cidade aquela coisa machista insuportável estilo gosta de levar vantagem — chega de pensar bobagem — não é possível que ele seja assim ele é sensível, inteligente, um homem que chora só falta agora um sopro de coragem, uma insinuação e se ele for um sujeito compulsivo maníaco depressivo, do tipo que atormenta astral anos sessenta e eu me arrepender profundamente — o ruim do porre é a ressaca — se for um cara babaca desses dose pra analista se ainda for comunista do antigo pecezão não, claro que não ele é brilhante, contemporâneo, atuante ativo da linha de frente e eu molhei os lábios sensualmente e pensei por que não?!
Princípio Na paixão de um homem, na inquietude das feras, no vermelho que o fio da lâmina provoca o olho acostumado a perscrutar as máscaras, as almas, o que não se confessa. Na origem profunda do ser Onde tudo começa na sua luta contra o tempo e contra a natureza em tudo há o desgaste em tudo o conflito se apresenta raiz do ataque e defesa há o mar, a fúria do mar e a força da rocha que o enfrenta.
Fama Nosso caso de amor pode gerar rumores mudar o tom do nosso humor como o som do liquidificador interferindo em nosso som e nós que vivemos em contradição um pouco de culpa, um muito de tesão talvez temamos essa interferência talvez isso desate o nosso laço os dois em xeque e talvez mate ou torne escasso... o que nos parecia excesso talvez vire o nosso amor do avesso e essa intimidade acabe please please não conte para ninguém o que você sabe.
Para Que Sejamos Necessários Transfere de ti para mim Essa dor de cabeça, esse desejo, essa vidência. Que careça em ti o meu excesso Que me falte o que tu tens de sobra. Que em mim perdure o que te morre cedo E que te permaneça o que tenho perdido. Que cresça, se desenvolva em teus sentidos Que em mim desapareça. Dá-me o que de possuir tu não te importas E eu multiplico o que te falta e em mim existe. Para que nosso encaixe forme uma unidade. Indivisível. - Que não se possa subtrair uma metade.
Gosto dos venenos mais lentos! Das bebidas mais fortes! Dos cafés mais amargos! E os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí? Eu adoro voar!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: - E daí? Eu adoro voar!
Transfere de ti para mim Essa dor de cabeça, esse desejo, essa vidência. Que careça em ti o meu excesso Que me falte o que tu tens de sobra. Que em mim perdure o que te morre cedo E que te permaneça o que tenho perdido. Que cresça, se desenvolva em teus sentidos Que em mim desapareça. Dá-me o que de possuir tu não te importas E eu multiplico o que te falta e em mim existe. Para que nosso encaixe forme uma unidade. Indivisível. - Que não se possa subtrair uma metade.
"...Bom comportamento nunca foi meu ponto forte. Minhas contradições se digladiam, Sobrevivo de um instinto que me empurra para lugares onde moças não iriam... Sou tantas, e a cada dia uma. Quero da vida todas e mais algumas, Ir fundo em todas essas personagens."
E se a paixão há de ser provisória, que seja louca e linda a nossa história.
Nenhuma mulher é linear quando tocada pela faísca da loucura. E, no meu caso particular, a loucura, além de morar ao lado, usa frequentemente meu telefone"(...)
Você sabe como eu sou despreocupada, que me encerro neste quarto e me permito todas as divagações, as fantasias, obsessões, perseguições. Todos os dias você sabe que eu me viro de inventos, que eu me reparto e dou crias que eu mal me resolvo e me aguento... Carrego pedras no bolso e enfrento ventanias.
Procuro para mim um homem sem moral, que me deixe arisca e me deite de costas mandando coisas
Romance de Bairro João... mas logo agora que as coisas tavam se ajeitando logo agora que eu tinha aprendido a fazer suflê logo agora que eu tava com a melhor das intenções que eu até falei com o síndico pra abrir uma janela pra aquele terreno baldio só pra você olhar o jogo que eu ia trocar meu canário pelo relógio do Armando de que você tanto gosta, João. Mas logo agora, João que pode ter guerra lá fora que eu tô com medo da vida que prendem a gente na rua e nem dizem por que. logo agora... quando eu ia plantar tulipas pra gente fazer de conta que o mundo é diferente pra gente não se dar conta do que está acontecendo do lado de fora do mundo, João logo agora que eu fiz um quadro novo com umas cores bonitas porque na rua, João já tem cinza demais. eu ia pintar as paredes com as cores do absurdo João em que lugar do mundo você encontra um canto assim? João, a coisa não é essa é preciso ter invento a coisa precisa de graça tem que ter magia, João e isso o mundo esquece ... o Mundo, João, não merece consideração. Mas logo agora que eu tinha comprado incenso e avenca de pôr no vaso cheiro de jasmim no portão você não queria... João logo agora que as coisas tavam se ajeitando logo agora que eu tava com a melhor das intenções logo agora, João esperasse mais um pouco.
você pode me empurrar pro precipício não me importo com isso eu adoro voar.
QUE ME VENHA ESSE HOMEM Que me venha esse homem depois de alguma chuva, que me prenda de tarde em sua teia de veludo, que me fira com os olhos e me penetre em tudo. Que me venha esse homem de músculos exatos, com um desejo agreste, com um cheiro de mato. Que me prenda de noite em sua rede de braços, que me perca em seus fios de algas e sargaços. Que me venha com forca, com gosto de desbravar, que me faça de mata pra percorrer devagar. Que me faça de rio pra se deixar naufragar. Que me salve esse homem com sua febre de fogo, que me prenda no espaço de seu passo mais louco.
"O culto da paixão tem mais sabor que pitanga roubada e minha alma dissoluta, dissimulada, mistura ao vinho uma idéia de me jogar em lençóis de linho ou no mar
Talvez uma faísca relâmpago no olhar, depressa como um susto me desmascare o rosto, e de repente deixe exposto... Em mim germina uma força perigosa que contamina, uma paixão vulgar que corta o ar, e que nenhum poder domina... Explode em mim uma liberdade que te fascina, sopro de vida, brilho que se descortina, luz que cintila, lantejoula, purpurina, fugaz como um desejo... Talvez te mate Talvez te salve O veneno do meu beijo...
E, no meu caso particular, a loucura, além de morar ao lado, usa frequentemente meu telefone.
O meu amor não tem pudor, nem acanhamento. Não tem paciência, não aguenta mais a urgência do desejo.
Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar. O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão. Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: - E daí? Eu adoro voar! Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo pra sempre.
Onde quer que você esteja veja que agora em algum lugar alguém chora porque você foi embora. Eu sei que você continua por aí nesse universo achando rima pra verso com humor e melancolia Perplexo feito criança diante de cada mistério sua sutil sabedoria nota coisas tão pequenas que outro não notaria E aqueles que ficaram por aqui, nessa passagem, sentem no céu esse anjo que você sempre escondia e desejam boa viagem.
Gosto (...) das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Quanto mais fundo entro na desordem, melhor me oriento.
A mágoa é uma má água.
Territórios e conexões
Qualidade e enriquecimento
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