A ciência conhece um único comando: contribuir com a ciência.
Bertolt Brecht
Eugen Berthold Friedrich Brecht (1898-1956) foi um dramaturgo e poeta alemão do século XX.
Frases e citações
OS QUE LUTAM Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.
Não conseguireis desgostar-me da guerra. Diz-se que ela destrói os fracos, mas a paz faz o mesmo.
Para quem tem uma boa posição social, falar de comida é coisa baixa. É compreensível: eles já comeram.
Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.
A vida é curta e o dinheiro também.
Temam menos a morte e mais a vida insuficiente.
Apenas a violência pode servir onde reina a violência, e / apenas os homens podem servir onde existem homens.
De todas as coisas seguras, / a mais segura é a dúvida.
Primeiro vem o estômago, depois a moral.
Um homem tem sempre medo de uma mulher que o ame muito.
O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.
Quem não conhece a verdade não passa de um tolo; mas quem a conhece e a chama de mentira é um criminoso!
O amor é a arte de criar algo com a ajuda da capacidade do outro.
A confiança pode exaurir-se caso seja muito exigida.
Perante um obstáculo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva.
Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis.
Pão e um gole de leite são vitórias! / Um quarto quente: uma batalha vencida! / Para te fazer crescer / Devo combater dia e noite.
O que é roubar um banco comparado a fundar um banco?
OS QUE LUTAM Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
PARA LER DE MANHÃ E À NOITE Aquele que amo Disse-me Que precisa de mim. Por isso Cuido de mim Olho meu caminho E receio ser morta Por uma só gota de chuva.
Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la.
Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.
Perguntas de um Operário Letrado Quem construiu Tebas, a das sete portas? Nos livros vem o nome dos reis, Mas foram os reis que transportaram as pedras? Babilónia, tantas vezes destruída, Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas Da Lima Dourada moravam seus obreiros? No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde Foram os seus pedreiros? A grande Roma Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio Só tinha palácios Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida Na noite em que o mar a engoliu Viu afogados gritar por seus escravos. O jovem Alexandre conquistou as Índias Sozinho? César venceu os gauleses. Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço? Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha Chorou. E ninguém mais? Frederico II ganhou a guerra dos sete anos Quem mais a ganhou? Em cada página uma vitória. Quem cozinhava os festins? Em cada década um grande homem. Quem pagava as despesas? Tantas histórias Quantas perguntas
Nada é impossível de mudar Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
Dificuldade de governar 1 Todos os dias os ministros dizem ao povo Como é difícil governar. Sem os ministros O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. Nem um pedaço de carvão sairia das minas Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol Sem a autorização do Führer? Não é nada provável e se o fosse Ele nasceria por certo fora do lugar. 2 E também difícil, ao que nos é dito, Dirigir uma fábrica. Sem o patrão As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. Se algures fizessem um arado Ele nunca chegaria ao campo sem As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas. 3 Se governar fosse fácil Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. Se o operário soubesse usar a sua máquina E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. E só porque toda a gente é tão estúpida Que há necessidade de alguns tão inteligentes. 4 Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira São coisas que custam a aprender?
O Vosso tanque General, é um carro forte Derruba uma floresta esmaga cem Homens, Mas tem um defeito - Precisa de um motorista O vosso bombardeiro, general É poderoso: Voa mais depressa que a tempestade E transporta mais carga que um elefante Mas tem um defeito - Precisa de um piloto. O homem, meu general, é muito útil: Sabe voar, e sabe matar Mas tem um defeito - Sabe pensar
Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos. Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações. Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói. Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goelas dos tubarões. A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as goelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali. Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.
AULA DE AMOR Mas, menina, vai com calma Mais sedução nesse grasne: Carnalmente eu amo a alma E com alma eu amo a carne. Faminto, me queria eu cheio Não morra o cio com pudor Amo virtude com traseiro E no traseiro virtude pôr. Muita menina sentiu perigo Desde que o deus no cisne entrou Foi com gosto ela ao castigo: O canto do cisne ele não perdoou.
Ah! Desgraçados! Um irmão é maltratado e vocês olham para o outro lado? Grita de dor o ferido e vocês ficam calados? A violência faz a ronda e escolhe a vítima, e vocês dizem: "a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando". Mas que cidade? Que espécie de gente é essa? Quando campeia em uma cidade a injustiça, é necessário que alguem se levante. Não havendo quem se levante, é preferível que em um grande incêndio, toda cidade desapareça, antes que a noite desça.
O Analfabeto Político O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Devorei prazeres e fiquei faminto, bebi ilusões e continuei sedento.
O que é por ser tal como é, não ficará tal como está.
Tenho muito o que fazer. Preparo o meu próximo erro.
Se fôssemos infinitos Tudo mudaria. Como somos finitos Muito permanece.
Los que Luchan Hay hombres que luchan un dia y son buenos; Hay otros que luchan un año y son mejores; Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos; Pero hay los que luchan toda la vida, Esos son los imprescindibles. (Hombres imprecindiveis aos que lutam)
Em vez de serem apenas bons, esforcem-se para criar um estado de coisas que tornem possível a bondade.
A grande arte exige amor e ódio.
O que vem a ser mesmo o homem? Não sei nem quero saber, tenho raiva de quem sabe. O que o homem é eu não sei. Dele eu só conheço o preço.
Em vez de serem apenas bons, esforcem-se para criar um estado de coisas que torne possível a bondade; em vez de serem apenas livres, esforcem-se para criar um estado de coisas que liberte a todos!
Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem.
Privatizado Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.
O que tem fome e te rouba O último pedaço de pão, chama-o teu inimigo Mas não saltas ao pescoço Do teu ladrão que nunca teve fome.
A Máscara Do Mal Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado. Compreensivo observo As veias dilatadas da fronte, indicando Como é cansativo ser mal
Eu vivo em tempos sombrios. Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez, uma testa sem rugas é sinal de indiferença. Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia. Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça? Aquele que cruza tranqüilamente a rua já está então inacessível aos amigos que se encontram necessitados? É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver. Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome. Por acaso estou sendo poupado. (Se a minha sorte me deixa estou perdido!) Dizem-me: come e bebe! Fica feliz por teres o que tens! Mas como é que posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome? se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede? Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
“Se os tubarões fossem homens”, perguntou ao sr K. a filha da sua senhoria, “eles seriam mais amáveis com os peixinhos?”. “Certamente”, disse ele. “Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal como vegetal."
Sobre A Violência A corrente impetuosa é chamada de violenta Mas o leito do rio que a contem Ninguém chama de violento. A tempestade que faz dobrar as bétulas E tida como violenta E a tempestade que faz dobrar Os dorsos dos operários na rua?
Inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente.
Só acredite no que os seus olhos vêem e seus ouvidos escutam. Não acredite nem no que os seus olhos vêem e seus ouvidos escutam. E saiba que não acreditar ainda é acreditar.
Todo mundo chama de violento a um rio turbulento, mas ninguém se lembra de chamar de violentas as margens que o aprisionam.
Todos correm atrás da felicidade sem perceber que a felicidade está nos seus calcanhares.
Vocês, artistas que fazem teatro Em grandes casas, sob sóis artificiais Diante da multidão calada, procurem de vez em quando O teatro que é encenado na rua. Cotidiano, vário e anônimo, mas Tão vívido, terreno, nutrido da convivência Dos homens, o teatro que se passa na rua.
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira são coisas que custam a aprender?
PRAZERES O primeiro olhar da janela de manhã O velho livro de novo encontrado Rostos animados Neve, o mudar das estações O jornal O cão A dialéctica Tomar duche, nadar Velha música Sapatos cómodos Compreender Música nova Escrever, plantar Viajar, cantar Ser amável. (in Do Pobre B.B.)
Nós vos pedimos com insistência: Nunca digam - Isso é natural! Diante dos acontecimentos de cada dia, Numa época em que corre o sangue Em que o arbitrário tem força de lei, Em que a humanidade se desumaniza Não digam nunca: Isso é natural A fim de que nada passe por imutável.
Num tempo em que você não pode dizer tudo o que quer, continue trabalhando, faça o possível para que, no dia em que haja condições reais de você dizer o que quer, saiba fazê-lo melhor.
Não aceites o habitual como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.
Pergunta sempre a cada idéia: a quem serves?
Se não morre aquele que escreve um livro e planta uma árvore, com mais razão não morre o educador que semeia vida e escreve na alma.
Elogio da dialética A injustiça avança hoje a passo firme; Os tiranos fazem planos para dez mil anos. O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são Nenhuma voz além da dos que mandam E em todos os mercados proclama a exploração; isto é apenas o meu começo. Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos. Quem ainda está vivo não diga: nunca O que é seguro não é seguro As coisas não continuarão a ser como são Depois de falarem os dominantes Falarão os dominados Quem pois ousa dizer: nunca De quem depende que a opressão prossiga? De nós De quem depende que ela acabe? Também de nós O que é esmagado que se levante! O que está perdido, lute! O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha E nunca será: ainda hoje Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?
Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis. Ninguém consegue induzi-los a fazer justiça.
Se for com sol, eu topo uma tarde curtindo a tarde deitados na grama do parque e vinho, e queijo, e beijo. Se for com lua, eu topo uma dose de desejo no copo um cheiro de noite no corpo e lençol, e pele, e suor. Se for com você, eu topo uma casinha azul no campo um vaso de gérbera no canto e rede, e quintal, e dengo.
Aos que vierem depois de nós I Realmente, vivemos tempos sombrios! A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas denota insensibilidade. Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar. Que tempos são estes, em que é quase um delito falar de coisas inocentes. Pois implica silenciar tantos horrores! Esse que cruza tranqüilamente a rua não poderá jamais ser encontrado pelos amigos que precisam de ajuda? É certo: ganho o meu pão ainda, Mas acreditai-me: é pura casualidade. Nada do que faço justifica que eu possa comer até fartar-me. Por enquanto as coisas me correm bem (se a sorte me abandonar estou perdido). E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!” Mas como posso comer e beber, se ao faminto arrebato o que como, se o copo de água falta ao sedento? E todavia continuo comendo e bebendo. Também gostaria de ser um sábio. Os livros antigos nos falam da sabedoria: é quedar-se afastado das lutas do mundo e, sem temores, deixar correr o breve tempo. Mas evitar a violência, retribuir o mal com o bem, não satisfazer os desejos, antes esquecê-los é o que chamam sabedoria. E eu não posso fazê-lo. Realmente, vivemos tempos sombrios. II Para as cidades vim em tempos de desordem, quando reinava a fome. Misturei-me aos homens em tempos turbulentos e indignei-me com eles. Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. Comi o meu pão em meio às batalhas. Deitei-me para dormir entre os assassinos. Do amor me ocupei descuidadamente e não tive paciência com a Natureza. Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros. A palavra traiu-me ante o verdugo. Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero. Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. As forças eram escassas. E a meta achava-se muito distante. Pude divisá-la claramente, ainda quando parecia, para mim, inatingível. Assim passou o tempo que me foi concedido na terra. III Vós, que surgireis da maré em que perecemos, lembrai-vos também, quando falardes das nossas fraquezas, lembrai-vos dos tempos sombrios de que pudestes escapar. Íamos, com efeito, mudando mais freqüentemente de país do que de sapatos, através das lutas de classes, desesperados, quando havia só injustiça e nenhuma indignação. E, contudo, sabemos que também o ódio contra a baixeza endurece a voz. Ah, os que quisemos preparar terreno para a bondade não pudemos ser bons. Vós, porém, quando chegar o momento em que o homem seja bom para o homem, lembrai-vos de nós com indulgência.
Nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar.
Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver.
A verdade é filha do tempo e não da autoridade.
Aprende – lê nos olhos, lê nos olhos – aprende a ler jornais, aprende: a verdade pensa com tua cabeça; Confere tudo. Faça perguntas sem medo não te convenças sozinho mas vejas com teus olhos. Se não descobriu por si na verdade não descobriu. Afinal você faz parte de tudo, também vai no barco, vai pegar no leme um dia. Aponte o dedo, pergunta que é isso? Como foi parar aí? Por que? Você faz parte de tudo. Aprende, não perde nada das discussões, do silêncio. Esteja sempre aprendendo por nós e por você. Você não será ouvinte diante da discussão, não será cogumelo de sombras e bastidores, não será cenário para nossa ação.
Faminto, pega no livro: é uma arma.
Realmente, vivemos tempos sombrios! A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas denota insensibilidade. Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar.
O homem, meu general, é útil: Sabe matar e sabe voar Só tem um defeito, sabe pensar
As convicções são esperanças.
Não há problema em hesitar se depois prosseguir.
A cadela do fascismo está sempre no cio.
Que tempos são estes, em que é quase um delito falar de coisas inocentes. Pois implica silenciar tantos horrores!
Canção do Remendo e do Casaco: Sempre que o nosso casaco se rasga vocês vêm correndo dizer: assim não pode ser; isso vai acabar, custe o que custar! Cheios de fé vão aos senhores enquanto nós, cheios de frio, aguardamos. E ao voltar, sempre triunfantes, nos mostram o que por nós conquistam: Um pequeno remendo. Ótimo, eis o remendo. Mas onde está o nosso casaco? Sempre que nós gritamos de fome vocês vêm correndo dizer: Isso não vai continuar, é preciso ajudá-los, custe o que custar! E cheios de ardor vão aos senhores enquanto nós, com ardor no estômago, esperamos. E ao voltar, sempre triunfantes, exibem a grande conquista: um pedacinho de pão. Que bom, este é o pedaço de pão, mas onde está o pão? Não precisamos só do remendo, precisamos o casaco inteiro. Não precisamos de pedaços de pão, precisamos de pão verdadeiro. Não precisamos só do emprego, toda a fábrica precisamos. E mais o carvão. E mais as minas. O povo no poder. É disso que precisamos. Que tem vocês a nos dar?
O Teatro épico serve para elevar a emoção a razão.
Homem com fome, alcance o livro: é uma arma.
Nação miserável é aquela que precisa de heróis. Os verdadeiros heróis são, em verdade, os cidadãos que enxergam.
De que lhe serve poder duvidar a quem não pode decidir-se? Pode atuar equivocadamente quem se contenta com razões muito escassas, mas ficará inativo ante o perigo quem precise de muitas.
Todavia, prossigamos! Seja de que maneira for! Saímos a campo para uma luta,lutemos, então! Não vimos já como a crença removeu montanhas? Não basta então termos descoberto que alguma coisa está sendo ocultada? Essa cortina que nos oculta isto e aquilo, é preciso arrancá-la!
Todos os dias os ministros dizem ao povo Como é difícil governar. Sem os ministros O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. Nem um pedaço de carvão sairia das minas Se o chanceler não fosse tão inteligente. (Das dificuldades de governar!)
EPÍLOGO Vocês, melhor aprenderem a ver, em vez de apenas Arregalar os olhos, e a agir, em vez de somente falar. Uma coisa dessas quase chegou a governar o mundo! Os povos conseguiram dominá-la, mas ainda É muito cedo para sair cantando vitória: O ventre que gerou a coisa imunda continua fértil!
Escapei aos tigres Nutri os percevejos Fui devorado Pela mediocridade.
A raça humana tende a lembrar os abusos a que foi submetida em vez dos carinhos. O que resta dos beijos? As feridas, no entanto, deixam cicatrizes.
Sob o cotidiano, desvelem o inexplicável. Que tudo que seja dito ser habitual cause inquietação. Na regra é preciso descobrir o abuso, e sempre que o abuso for encontrado, é preciso encontrar o remédio.
Nos tempos sombrios, Se cantará também? Também se cantará Sobre os tempos sombrios.
Felicidades O primeiro olhar da janela de manhã O velho livro perdido e reencontrado Rostos animados A neve, a sucessão das estações Jornais O cachorro A dialética Tomar banho, nadar um pouco A música antiga Sapatos macios Compreender A música nova Escrever, plantar Viajar, cantar Ser camarada
Tenho pressa. Preparo o meu próximo erro!
Bons discursos podem conseguir muito ; Mas não conseguem tudo.
A NECESSIDADE DA PROPAGANDA “É possível que em nosso país nem tudo ande como deveria andar. Mas ninguém pode negar que a propaganda é boa. Mesmo os famintos devem admitir Que o Ministro da Alimentação fala bem (...) Um bom propagandista Transforma um monte de esterco em local de veraneio. Quando não há manteiga, ele demonstra Como um talhe esguio faz um homem esbelto. Milhares de pessoas que ouvem discorrer sobre autoestradas Alegram-se como se tivessem carros. Nos túmulos dos que morreram de fome ou em combate Ele planta louros. Mas já bem antes disso Falava de paz enquanto os canhões passavam. Somente através da propaganda perfeita Pode-se convencer milhões de pessoas Que o crescimento do exército constitui obra de paz Que cada novo tanque é uma pomba da paz E cada novo regimento uma prova de Amor à paz. Mesmo assim: bons discursos podem conseguir muito Mas não conseguem tudo. Muitas pessoas Já se ouve dizerem: pena Que a palavra ‘carne’ apenas não satisfaça, e Pena que a palavra ‘roupa’ aqueça tão pouco. Quando o Ministro do Planejamento faz um discurso de louvor à nova impostura Não pode chover, pois seus ouvintes Não têm como se proteger.”
Há muitas maneiras de matar. Podem enfiar-te uma faca na barriga, arrancar-te o pão, não te curar de uma enfermidade, meter-te numa casa sem condições, torturar-te até a morte por meio de um trabalho, levar-te para a guerra, etc. Somente poucas destas coisas estão proibidas na nossa cidade.
Os Esperançosos Pelo que esperam? Que os surdos se deixem convencer E que os insaciáveis Lhes devolvam algo? Os lobos os alimentarão, em vez de devorá-los! Por amizade Os tigres convidarão A lhes arrancarem os dentes! É por isso que esperam!
Não se alegrem com a derrota dele, homens. Mesmo que o mundo tenha se erguido para deter o bastardo, a cadela que o pariu está no cio novamente.
Os autores não conseguem escrever tão rápido como os governos fazem guerras. Escrever requer trabalho de pensar.
Realmente, vivemos tempos sombrios! A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas denota insensibilidade. Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar. Que tempos são estes, em que é quase um delito falar de coisas inocentes. Pois implica silenciar tantos horrores!
Aqueles que são contra o fascismo sem serem contra o capitalismo, que lamentam a barbárie que sai da barbárie, são como pessoas que desejam comer carne de vitela sem matar o bezerro.
Ser mãe… Ser mãe, no nosso tempo Quer dizer: sofrimento Ser mãe quer dizer: Chorando, dar – Quer dizer: com alma e corpo Viver pra vida de um outro. – Quando a tempestade varre o mar Rebaixando-se, ao céu se erguer E se dar. Ser mãe quer dizer: Mil vezes morrer. Quer dizer: quando miséria e morte Ceifarem, o perdão requerer Para os filhos e ao morrer Dar um sorriso que os reconforte. Ser mãe, em qualquer tempo Quer dizer: sofrimento.
Canção dos rebeldes cansados Quem sempre poupou o sapato Jamais o viu ficar com furo. Quem nunca esteve triste ou farto Também jamais dançou, no duro. Se o seu sapato se desfaz De gasto e assim como você Foi só pra se chutar, é mais Feliz que você, pode crer. Pondo o pé na cova é que nós Bailamos com mais galhardia. Do último furo Deus sopra A mais bonita melodia.
Esta vida é muito pouca. É melhor cair de boca Para não se arrepender No momento de morrer!
Espero o pior de cada pessoa, até de mim mesmo – e raramente me enganei.
A poesia deve ser considerada como uma atividade humana, como uma prática social com todas as suas contradições, variabilidade, como historicamente dependente e fazedora de história. A diferença reside entre “refletir” e “segurar o espelho”.
O que significa, afinal, escrever? É como um moinho de vento que também pode ficar sem grãos. Mas a pessoa inteira é como um aparelho de Estado, por vezes em grande desunião, sem governo, meio devastado, incapaz de responder como um todo ao mundo exterior. Às vezes, escreve-se movido por uma certa força, e às vezes tenta-se ganhar força escrevendo.
Eu o sobrevivente Sei naturalmente: apenas por sorte A tantos amigos sobrevivi. Mas hoje à noite, em sonho, Ouvi esses amigos dizerem de mim: “Os mais fortes sobrevivem.” E tive ódio de mim.
“O fascismo não é o contrário da democracia burguesa é a sua evolução em tempos de crise"
Primeiro, eles vieram para levar os ciganos e eu fiquei feliz porque eles saqueavam. Depois, vieram para levar os judeus e eu não disse nada, porque eles eram desagradáveis comigo. Depois, vieram para levar os homossexuais, e eu fiquei aliviado, porque eles estavam me irritando. Depois, vieram para levar os comunistas, e eu não disse nada porque eu não era comunista. Um dia, vieram para me levar, e não havia mais ninguém para protestar.
Territórios e conexões
Qualidade e enriquecimento
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