Hão de chorar por ela os cinamomos Hão de chorar por ela os cinamomos, Murchando as flores ao tombar do dia. Dos laranjais hão de cair os pomos, Lembrando-se daquela que os colhia. As estrelas dirão — "Ai! nada somos, Pois ela se morreu silente e fria.. . " E pondo os olhos nela como pomos, Hão de chorar a irmã que lhes sorria. A lua, que lhe foi mãe carinhosa, Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la Entre lírios e pétalas de rosa. Os meus sonhos de amor serão defuntos... E os arcanjos dirão no azul ao vê-la, Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"
Alphonsus de Guimaraens
Alphonsus de Guimaraens (1870-1921) foi um poeta brasileiro, um dos mais importantes escritores do Simbolismo.
Frases e citações
Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar... Estava perto do céu, Estava longe do mar... E como um anjo pendeu As asas para voar... Queria a lua do céu, Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma subiu ao céu, Seu corpo desceu ao mar...
Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar... Estava perto do céu, Estava longe do mar... E como um anjo pendeu As asas para voar... Queria a lua do céu, Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma subiu ao céu, Seu corpo desceu ao mar...
Entre brumas, ao longe, surge a aurora. O hialino orvalho aos poucos se evapora, Agoniza o arrebol. A catedral ebúrnea do meu sonho Aparece, na paz do céu risonho, Toda branca de sol. E o sino canta em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” O astro glorioso segue a eterna estrada. Uma áurea seta lhe cintila em cada Refulgente raio de luz. A catedral ebúrnea do meu sonho, Onde os meus olhos tão cansados ponho, Recebe a bênção de Jesus. E o sino clama em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” Por entre lírios e lilases desce A tarde esquiva: amargurada prece Põe-se a lua a rezar. A catedral ebúrnea do meu sonho Aparece, na paz do céu tristonho, Toda branca de luar. E o sino chora em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” O céu é todo trevas: o vento uiva. Do relâmpago a cabeleira ruiva Vem açoitar o rosto meu. E a catedral ebúrnea do meu sonho Afunda-se no caos do céu medonho Como um astro que já morreu. E o sino geme em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
É necessário amar… Quem não ama na vida? Amar o sol e a lua errante! amar estrelas, Ou amar alguém que possa em sua alma contê-las, Cintilantes de luz, numa seara florida! Amar os astros ou na terra as flores… Vê-las Desabrochando numa ilusão renascida… Como um branco jardim, dar-lhes na alma guarida, E todo, todo o nosso amor para aquecê-las… Ou amar os poentes de ouro, ou o luar que morre breve, Ou tudo quanto é som, ou tudo quanto é aroma… As mortalhas do céu, os sudários de neve! Amar a aurora, amar os flóreos rosicleres, E tudo quanto é belo e o sentido nos doma! Mas, antes disso, amar as crianças e as mulheres…
O amor, a cada filho, se renova. Mesmo no inverno, brilha a primavera… E o coração dos pais, sedento, prova O néctar suave de quem tudo espera. Vai-se a lua, e vem outra lua nova… Ai! os filhos… (e quem os não quisera?) São frutos que criamos para a cova. Melhor fora que Deus no-los não dera. Frutos de beijos e de abraços, frutos Dos instantes fugazes, voluptuosos, Rosário interminável de noivados… Filhos… São flores para velhos lutos. Por que Jesus nos fez tão venturosos, Para sermos depois tão desgraçados?
Como se moço e não bem velho eu fosse Uma nova ilusão veio animar-me. Na minh’alma floriu um novo carme, O meu ser para o céu alcandorou-se. Ouvi gritos em mim como um alarme. E o meu olhar, outrora suave e doce, Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se Todo em raios que vinham desolar-me. Vi-me no cimo eterno da montanha, Tentando unir ao peito a luz dos círios Que brilhavam na paz da noite estranha. Acordei do áureo sonho em sobressalto: Do céu tombei aos caos dos meus martírios, Sem saber para que subi tão alto…
Cantem outros a clara cor virente Do bosque em flor e a luz do dia eterno… Envoltos nos clarões fulvos do oriente, Cantem a primavera: eu canto o inverno. Para muitos o imoto céu clemente É um manto de carinho suave e terno: Cantam a vida, e nenhum deles sente Que decantando vai o próprio inferno. Cantam esta mansão, onde entre prantos Cada um espera o sepulcral punhado De úmido pó que há de abafar-lhe os cantos… Cada um de nós é a bússola sem norte. Sempre o presente pior do que o passado. Cantem outros a vida: eu canto a morte.
Territórios e conexões
Qualidade e enriquecimento
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